terça-feira, 2 de dezembro de 2025

A Associação Família Conservadora esteve presente em Budapeste


Por: Lígia Albuquerque 

Na VI Conferência PEuCET, realizada em Budapeste a 28 de novembro de 2025, em representação da Associação Família Conservadora, reafirmei com clareza aquilo que considero um dos maiores desafios do nosso tempo: proteger as crianças, defender a família e preservar a identidade moral e cultural da Europa.

A conferência contou com intervenções de líderes europeus, académicos, associações familiares, sindicatos e representantes políticos, que aprofundaram temas como a proteção das crianças, a defesa da identidade nacional, os desafios do sindicalismo e o impacto da cultura digital na juventude. A sessão encerrou com a aprovação da Declaração Final, que renova o compromisso com a liberdade, a dignidade humana e a paz.

A Declaração Final da conferência recorda que o futuro europeu depende de uma profunda renovação moral, do respeito pela soberania das nações, da preservação da herança judaico-cristã e da defesa da família como fundamento da sociedade.

Na minha intervenção, sublinhei que a Europa atravessa um momento decisivo. Os debates acerca da ideologia de género, da proteção da infância e das políticas educativas não são meras divergências culturais: representam um choque entre duas visões de humanidade. Reafirmei que a dignidade humana é inseparável da corporeidade e que a complementaridade entre homem e mulher constitui o alicerce natural da família e o ambiente que melhor protege a criança. Quando se separa a identidade humana da corporeidade — como fazem as abordagens de género — cria-se um conflito entre identidades sentidas e realidades materiais.
E é nestes conflitos que os direitos das mulheres e das crianças são hoje atropelados.

Recordei que a infância é um período de enorme vulnerabilidade e formação, razão pela qual o superior interesse da criança deve orientar decisões públicas. Em Portugal, a Estratégia Única dos Direitos das Crianças e Jovens 2025–2035 reforça que os pais são os primeiros educadores e que nenhuma política deve substituir-se indevidamente à família. Contudo, este princípio colide frontalmente com o quadro legislativo português atual. A Lei 38/2018, ao consagrar a autodeterminação de género, permite que um menor altere nome e identidade legal com base apenas na sua vontade sentida, sem exigência de avaliação clínica ou psicológica aprofundada. Ao mesmo tempo, a Lei 15/2024, que proíbe as chamadas “terapias de conversão”, acaba por condenar pais e profissionais de saúde que adotem uma abordagem prudente ou exploratória — mesmo quando essa abordagem procura proteger a criança, respeitar o seu desenvolvimento e evitar decisões irreversíveis.

Referi também que, em Portugal, o novo enquadramento curricular de Cidadania e Desenvolvimento, aprovado em 2025, representa uma oportunidade para recentrar a educação em valores comuns, reforçando o papel dos pais e evitando que a escola se transforme num espaço de doutrinação. Porém, e mais uma vez, verificamos que organismos públicos e ONG´s ativistas wokistas, insistem em implementar guias e programas nas escolas, com o conluio das direções escolares, que atentam contra a integridade física, psicológica e emocional das crianças, sem o consentimento dos pais. E realcei que estes temas são transversais a todas as disciplinas. Questionada, então, o que se poderá fazer, afirmei que, cabe à família, aos pais, transmitirem valores sólidos e promoverem o pensamento crítico aos seus filhos, para que eles próprios, possam tomar medidas para se salvaguardarem desta ideologia e que tenham uma voz ativa, sem medos de represálias, contra esta loucura. Os pais devem e têm de estar atentos aos conteúdos lecionados, e denunciarem escolas, intervenientes, para que sejam tornados públicos quem são os perpetuadores da ideologia Woke, principalmente, na defesa dos mais pequeninos, que ainda não têm capacidade de se exprimirem.

Sublinhei ainda que a erosão da família tradicional contribui para o inverno demográfico europeu e fragiliza a coesão social. Apoiar políticas de natalidade, parentalidade e conciliação é uma necessidade estratégica para garantir futuro ao continente. Reafirmar a família cristã e todas aquelas que, independentemente, não professem nenhuma fé, mas cujos valores assentam nos princípios cristãos, não é um ato ideológico: é defender o espaço natural onde a vida é gerada, cuidada e amada.

Termino como terminei em Budapeste: proteger as crianças, (acrescentei ao tema, meninas e mulheres) da ideologia de género não é um ato de exclusão — é um dever ético. Defender a família não é nostalgia — é garantir o futuro europeu!

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