quarta-feira, 18 de março de 2020

Sou conservadora – Escolho a família como Deus a instituiu


«E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.» (Génesis 1:27)



Ser conservador é: preferir o familiar ao bizarro, o provado ao polémico, a realidade à ficção, o actual ao teórico, o limitado ao desmedido, o próximo ao distante, o suficiente ao inaceitável, o conveniente ao inconveniente, o riso presente à felicidade utópica.

Não me lembro de um tempo em que “ser conservador” fosse tão mal visto e tão odiado. Hoje, aos ouvidos de muitos, conservador e “homem das cavernas” parecem sinónimos… O próprio dicionário sofreu alterações e onde antes (2001) se lia:
Que, ou aquele que conserva; funcionário do registo predial, civil, etc.; aquele que se opõe a reformas radicais, em política.

Hoje, somos descritos assim:
Aquele que se opõe às mudanças, não aceitando inovações morais, sociais, políticas, religiosas, comportamentais.
Quem é muito apegado às tradições; tradicionalista.
[Política] Quem faz parte de um partido conservador, defensor da conservação das normas e das tradições estabelecidas.
Funcionário responsável pela guarda, pela gerência e pela preservação do que pertence a organizações públicas.

Quando transmiti o nome da nossa Associação a alguns amigos cristãos vi-os torcer o nariz. Por isso, parece importante termos a real noção do que significa ser conservador, até para não cair no conto do vigário, também conhecido como narrativa progressista.

Em Portugal vive-se uma revolução cultural, imposta, promovida e controlada por marxistas culturais, ideólogos de género e pelo movimento feminista, que tem provocado uma esquizofrenia social e que trata qualquer menção à direita e ao conservadorismo como uma ameaça à democracia e à liberdade.  
Chegou a hora de manter e preservar os valores sobre os quais a nossa sociedade foi fundada e de reformar práticas e pensamentos.

O conservadorismo provém de uma observação prudente, que, a começar pela nossa casa, nos conduz a perceber os benefícios de se manter determinada instituição.
Como escreveu o filósofo Plutarco, “quando o alicerce de uma família não é fundado com rectidão, o destino será desgraçado para a descendência”[1]

É comum ouvir algumas minorias inflamadas afirmar que a instituição da família tradicional deve ser destruída e que existem novas formas para a substituir. Mas, basta olharmos para a história da humanidade, para constatarmos que a família tradicional sobrevive ao teste do tempo há mais de 6 (seis) mil anos. A pergunta que não quer calar é:
Será que substituiríamos algo consolidado ao longo de tantos milénios pelo desconhecido? Por uma engenharia social com resultados imprevisíveis?
O modelo tradicional de família, conforme nos prova a experiência dos anos, é de bons ensinamentos para acções virtuosas. Conservar o modelo tradicional de família não é ser reacionário ou retrógrada - a ponto de querermos voltar atrás e regredir ao tempo em que, de acordo com o PRESSE [Programa Regional de Educação Sexual em Saúde Escolar] a bissexualidade era comum, a virgindade feminina era pouco valorizada, a prostituição era uma profissão como as outras, famílias tinham representações sexuais explícitas em suas casas, e os imperadores casados tinham relações homossexuais com adolescentes.

Quando tratamos de conservar o modelo tradicional de família, também estamos a referir-nos a pessoas lúcidas, com bom senso. É muito comum o ataque progressista de que o conservador é um simpatizante das práticas antigas que violavam a dignidade humana, mas isso não tem qualquer relação com ser conservador. O conservador é aquele que avaliou todos os pressupostos de algo que é comprovadamente bom (não é bom porque é antigo, é antigo porque é bom) e tem capacidade de reconhecer aquilo que é mau – isso é tão verdadeiro, que o conservador consegue reconhecer que anos de doutrinação marxista são péssimos para a humanidade e que tal pensamento merece ser descartado e combatido, para que não destrua o seio das nossas famílias.

Numa democracia todos devem ter liberdade para fazer o que quiserem (desde que não violem a lei), inclusive defender as suas crenças. Logo, se os conservadores valorizam, por exemplo, o casamento monogâmico e heterossexual, podem e devem proteger as suas famílias do discurso contrário, garantindo, assim, que os seus filhos não sejam doutrinados pela compreensão progressista de sexualidade e união entre pessoas. Logicamente, tal defesa deve ser baseada no respeito pelo outro.

Apesar de hastearem a bandeira da “liberdade de expressão, tolerância, respeito, etc.”, os progressistas não estão satisfeitos com as liberdades religiosa e de expressão de quem não pensa como eles e querem impor-nos a sua cosmovisão obrigando-nos a aceitar o meu modelo de família como o único que é válido e acrescenta-lo à nossa cosmovisão de família.

Hoje, respeitar o outro já não é suficiente e a possibilidade de considerar o que quer que seja como errado começa a rotulada como “discurso de ódio”. Estamos na era da nova “tolerância” onde todas as visões, menos a visão cristã de família, devem ser consideradas válidas.

O pseudomodelo de família que nos está a ser imposto é totalmente imoral, egocêntrico, e visa unicamente agradar a si mesmo e obter prazer.
O amor sacrificial (Cor 13), a bênção da procriação, a beleza do sexo entre homem e mulher, o provimento do lar, ensinar os valores morais e as virtudes às crianças - tudo isto e muitos outros pontos - são considerados como um modelo a ser combatido. A moda é: união entre pessoas do mesmo sexo, mães de pet’s, zoofilia, aborto até ao dia antes de nascer, poligamia, incesto, e assim por diante – pontos que, caso não sejam resistidos e combatidos prenunciam a ruína de uma civilização.

Será que o modelo progressista de família, que nos estão a impor como “tão normal como”, resistiria ao teste do tempo?
Será que daqui a duzentos ou trezentos anos teríamos humanidade para contar história?
Pela resposta clara a essas perguntas – NÃO! — eu prefiro aquilo que já foi testado e que resulta, do que o que  nunca foi provado; prefiro o facto ao mistério; a família – com todos os seus problemas  – à extinção da humanidade.

Hoje, nos guiões de Género e Cidadania, pergunta-se a crianças a partir dos 3 anos: “O que é o Homem?”
O que é o “homem”, senão o “macho” de Génesis 1.27?
E o que é a “mulher” — literalmente, “a do homem” — senão a correspondente “fêmea”?
Deus cria machos para a masculinidade e fêmeas para a feminilidade e rebelar-se contra isso é uma abominação (conforme Deuteronómio 22.5).
O género – masculinidade e feminilidade – estão firmemente enraizados e entremeados na criação de Deus dos dois sexos: macho e fêmea. A desunião entre género e sexo - que hoje é imposta aos nossos filhos na Escola, desde a mais tenra idade - não se encaixa na forma como a Bíblia fala a respeito de homens e mulheres e naqueles que são os nossos valores e princípios.

Como escreveu Kevin DeYoung:
“Por mais que a academia contemporânea diga outra coisa, a Bíblia acredita numa unidade orgânica entre o sexo biológico e a identidade de género. É por isso que macho e fêmea são (unicamente) o tipo de par que consegue reproduzir-se (Génesis 1.28, 2.20). É por isso que o homossexualismo – um homem deitar-se com um homem como se fosse mulher (Levítico 18.22) — é errado. É por isso que o apóstolo Paulo pode falar de parcerias homossexuais como um desvio das relações naturais ou da função natural do intercurso sexual macho-fêmea (Romanos 1.26-27). Em cada instância, o argumento só funciona se houver uma equivalência assumida entre a biologia da diferença sexual e a identidade correspondente de macho e fêmea.”

São boas novas que Deus tenha criado a humanidade como macho e fêmea. Nós não temos que sofrer debaixo da angústia existencial da auto-determinação. Deus já determinou quem somos. Ele criou-nos e chamou-nos macho e fêmea, homem e mulher.

Vivemos mesmo coisas antigas, temos uma visão conservadora a respeito da família, do casamento, do relacionamento com o sexo oposto, da sexualidade, do uso do corpo, tudo isto porque nascemos e crescemos numa sociedade fundada nos valores morais judaico-cristãos, ensinados na Palavra de Deus, que vive e permanece eternamente. Neste mundo agitado como as ondas do mar somos chamados a firmar-nos na Rocha. Diante das pressões das vagas deste mundo agitado, estamos firmados no nosso Deus e nos Seus valores morais. Portanto, dia a dia, somos desfiados a resistir, somos chamados a não nos moldarmos a este mundo perverso e imoral.
Estes são alguns dos motivos pelos quais sou conservadora.

Maria Helena Costa



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