quarta-feira, 8 de abril de 2020

‘Grooming’: Washington aprova plano de educação sexual de extrema esquerda que promove promiscuidade, LGBT e aborto

Os advogados pró-família deram o alarme, destacando as lições gráficas dos currículos de educação sexual que atendem aos padrões da lei.
Terça, 10 de março de 2020 – 12:30 EST
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Aviso: este artigo contém conteúdo sexual gráfico e perturbador.
OLÍMPIA, Washington, 10 de Março de 2020 ( LifeSiteNews ) – A legislatura do estado de Washington aprovou no fim de semana um plano de educação sexual pró-aborto e pró-ideologia de género, o qual permitirá que o acto sexual seja descrito a crianças de cinco anos, que crianças de sete anos de idade sejam ensinadas sobre prazer sexual e que alunos do segundo ciclo sejam direccionados a um site com instruções sobre sexo anal.
Os críticos alertam que esses materiais exporão as crianças a materiais [pornográficos] explícitos e a valores de extrema esquerda.
O Senado de Washington votou 27 X 21 no sábado para aprovar as alterações da Câmara ao projecto SB 5395, informa o Seattle Times , enviando-o à mesa do governador democrata Jay Inslee para ser assinado. O projecto exigiria que as escolas públicas de Washington adoptassem novos materiais de educação sexual “abrangentes” nos próximos dois anos. O projecto de lei “não exige nenhum currículo, mas estabelece padrões com os quais todos os currículos devem estar em conformidade”, disse Katy Faust, uma activista dos direitos da criança na Them Before Us , à LifeSiteNews.
Os advogados pró-família deram o alarme, destacando as lições gráficas dos currículos de educação sexual que atendem aos padrões da proposta de lei. Um currículo educacional do grupo Advocates for Youth, pró-aborto e pró-LGBT, atende aos padrões da proposta de lei e já é usado em algumas escolas de Washington. Designado de 3R, esse currículo promove fortemente a teoria de género, promiscuidade, preservativos, contracepção e aborto, bem como o que está listado no início deste artigo.
O currículo 3R também direcciona os professores a fazer com que alunos de 14 anos encenem negociações por sexo. Os professores são avisados ​​de que, se dois “meninos cisgéneros heterossexuais” acabarem por ser aleatoriamente designados um para o outro para este exercício, “é possível que eles tenham uma resposta homofóbica”.
Um plano de aula da 3R chamado “Criando Confiança no Preservativo” faz com que crianças a partir dos 14 anos coloquem preservativos em bananas ou pénis artificiais. A tarefa deles é “ver como tentar obtê-los”. É dito aos alunos que eles têm o “direito de ter acesso” a preservativos “em qualquer idade” e que os adultos que fazem comentários sobre a compra de preservativos podem ser lembrados disso.

‘Propaganda, ideologia e higiene’

Os apoiantes enfatizaram que uma peça central do novo conteúdo serão lições sobre “consentimento afirmativo” ao sexo, que o senador do estado democrata Manka Dhingra evitará “vitimização futura” e “violência futura” contra mulheres e meninas.
Os opositores, entretanto, questionaram a adequação etária das lições.
“Quem decidirá o que é apropriado para a idade, onde claramente haverá diferenças de opinião?” perguntou o senador republicano Steve O’Ban. “Essa deveria ser uma decisão do OSPI [o Gabinete do Superintendente de Instrução Pública do Estado] de Washington ou deveria ser baseada nos valores dos pais, reflectidos nos seus conselhos e escolas? Sempre acreditámos que o melhor governo é o local. ”
“De acordo com a idade, vi o mesmo material de que o senador O’Ban estava falando”, disse o senador republicano Keith Wagoner, referenciando as lições que o escritório do superintendente de instrução pública do estado havia liberado para os alunos do quinto ano (10 anos de idade). “E posso dizer-lhe, se fosse uma fotografia em vez de um desenho, seria pornografia.”
Faust reviu os materiais educacionais que cumprem a lei e identificou numerosas passagens alarmantes, incluindo referências a “católicos devotos” e famílias “bastante conservadoras” que supostamente deixam seus filhos ignorantes sobre sexo, destacando “tomar banho juntos” e “masturbação mútua” como actividades “sem risco” para doenças sexualmente transmissíveis e referências a crianças de 12 anos usando preservativos.
Outras mensagens contidas no material aprovado pelo estado, diz ela, incluem instruções sobre escravidão e “brincadeiras com fluidos corporais”, como os homens podem supostamente ter filhos, por que deveriam eles ser permitidos nas equipas desportivas de meninas e como obter abortos, hormonas e vacinas contra o HPV sem envolvimento dos pais.
“Alguns dos currículos aprovados são tão gráficos que os legisladores não podem citá-los nos processos sem serem ‘avisados’ ou ‘silenciados'”, disse Faust. “A televisão teve que emitir um aviso com “bolinha vermelha” ao exibir a cobertura do debate, o equivalente a um filme de classificação R (para maiores de 17 anos). […] É claro que existe um forte lobby pela Planned Parenthood, que tem interesse em sexualizar prematuramente os seus possíveis clientes. Isto não é educação. Isto é propaganda, ideologia e manipulação.”
Ela observou que os democratas também rejeitaram emendas ao projecto de lei que cortariam material relacionado à representação sexual, proibiam que os materiais fossem incorporados a outras classes que não fossem do sexo, optando por pais e professores, exigindo que as escolas solicitem feedback dos pais. , esclareceu que os menores são legalmente incapazes de dar consentimento sexual, limitaram o desempenho dessas lições aos profissionais de saúde mental, exigiram menções à pornografia para incluir discussões sobre os seus riscos e aspectos obscuros, acrescentaram material sobre os benefícios da abstinência e muito mais.
Inslee, um democrata que já havia assinado a legislação que obrigava as seguradoras de saúde a abortar, deve assinar a aprovação do projecto de lei.
Artigo traduzido

Cidadania e Desenvolvimento

Embora a ideologia seja transversal a todas as disciplinas, “Cidadania e Desenvolvimento” é a disciplina mater no projecto de Educação LGBTI+, para crianças a partir dos 3 anos, com conteúdos como o da imagem:


Sim, o Governo permite e incentiva que a Escola seja o instrumento usado por Associações que promovem o lobbie LGBTI+ para ganhar as nossas crianças para as suas causas e para as suas práticas.
O mesmo governo que rejeita qualquer influência cristã na Escola – proibindo, por ex., o ensino da Bíblia, numa cosmovisão cristã, em sala de aula – promove e incentiva o ensino ideológico do género e a imposição de uma cultura LGBTI+ em substituição da cultura milenar judaico-cristã.
Naturalmente, esta cultura LGBTI+ só pode ser imposta expropriando os pais da educação dos seus filhos, negando-lhes o direito de decidir que os seus educandos sejam expostos a conteúdos ideológicos e pornográficos absolutamente contrários aos seus princípios, fé e consciência.
Para atingir tal fim, violam claramente a própria Lei n.º 60/2009, de 6 de Agosto, no seu Artigo 11.º:
Participação da comunidade escolar
1 – Os encarregados de educação, os estudantes e as respectivas estruturas representativas devem ter um papel activo na prossecução e concretização das finalidades da presente lei.
2 – Os encarregados de educação e respectivas estruturas representativas são informados de todas as actividades curriculares e não curriculares desenvolvidas no âmbito da educação sexual.
e também a Portaria 196-A/2010, de 9 de Abril, diz no Artigo 4.º:
Elaboração do projecto educativo da escola
1 – Os termos em que se concretiza a inclusão da educação sexual nos projectos educativos dos agrupamentos de escolas e das escolas não agrupadas são definidos pelo respectivo conselho pedagógico e dependem de parecer do conselho geral, no qual têm assento os professores da escola, representantes dos pais e, nos agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas onde seja leccionado o ensino secundário, representantes dos estudantes.
2 – Sem prejuízo do disposto no número anterior, o conselho pedagógico deve assegurar que os pais e encarregados de educação sejam ouvidos em todas as fases de organização da educação sexual no respectivo agrupamento de escolas ou escola não agrupada.
Ora, nada disto está a ser feito e a grande maioria dos pais não sabem o que está a ser incutido, em sala de aula, numa área tão íntima e pessoal como a sexualidade dos seus filhos. A confiança dos pais na Escola está a ser totalmente violada por ideólogos que querem subverter não apenas a identidade e a sexualidade das crianças, mas também os valores e a fé cristã, que os encarregados de educação transmitem aos seus filhos em casa.
Leia o Projecto Educação LGBTI+ — nos links abaixo — e perceba, antes que seja demasiado tarde, que estamos perante uma revolução sexual.
Não se trata de novos comportamentos sexuais, mas sim da difusão em larga escala e da justificação teórica de um estilo de vida sexual que se separa cada vez mais do ideal: marido e mulher dentro do casamento. A base teórica destas mudanças tem sido a rotura entre sexualidade e procriação nas suas dimensões: sexualidade sem filhos e filhos sem sexualidade.
De acordo com a Drª Michelle Cretella:
«A identidade sexual é maleável, principalmente em crianças pequenas.»
A Associação Americana de Pediatria admite que antes da promoção disseminada da afirmação de transição [“mudança de sexo”], 75% a 95% das crianças pré-púberes, que se sentiam incomodadas com seu sexo biológico, acabavam por superar o problema. A grande maioria aceitava o seu sexo biológico no final da adolescência, depois de passar naturalmente pela puberdade.
Todavia, com a afirmação de transição a alastrar-se na sociedade ocidental, o número de crianças que demonstram incómodo em relação ao seu sexo — e a sua persistência ao longo do tempo ― aumentou drasticamente. Por exemplo, o Serviço de Desenvolvimento da Identidade de Género observou um aumento de 4 mil% de encaminhamentos para psicologia e psiquiatria desde 2009.
Como escreveu o meu amigo João Brás:
«A família é um dos inimigos principais a abater nesse projecto. Porque a família remete para outros valores que não os do consumo fácil e do hedonismo vulgar e oco. A família está também transformada por essa mundividência liquidatária da cultura ocidental, no resultado de uma conspiração opressiva de uma ficção que designa como sociedade patriarcal, heteronormativa e heterossexual. Paternidade, maternidade, família, trabalho, casamento estão reduzidos à sua dimensão de funcionalidades e estatuto legal.
A família é o núcleo central de qualquer sociedade, e da própria cultura e civilização, o traço mais distinto da vida humana em sociedade. Sociedades destruturadas visam sempre a destruição da família. Uma mundividência que tem a economia como o pilar central da vida humana regida por um capitalismo amoral e predatório está numa estranha união de facto com as agendas progressistas que nada têm a ver com a dignidade da pessoa. A família é a estrutura intermédia entre o Estado e o individuo, sem essa estrutura, o individuo é um átomo solitário, presa fácil de qualquer totalitarismo ou sociedade regida pelo consumo.
A ideia desse novo mundo assente unicamente na deslegitimação do sentido profundo da vida e da história (da nação, da família, do casamento, da escola, do primado da vida) considerando arcaico e retrógrada tudo o que se lhes opõe. O coroar deste caminho está representado no século presente pela ascensão da política oficial da teoria do género.»
Não se omita e não permita que o Estado o exproprie da educação dos seus filhos.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

A Hora do Conto: Perseverança - As estrelas do céu

Habitação ou comércio, famílias ou empresas. Como vão funcionar os apoios nas rendas?


Covid-19: Parlamento aprova legislação que prevê moratória no ...
Durante esta crise pandémica, o Governo avançou com uma série de medidas de apoio nas rendas, seja a famílias ou empresas, na habitação ou no comércio.
Durante esta crise pandémica, o Governo avançou com uma série de medidas de apoio nas rendas, seja a famílias ou empresas, na habitação ou no comércio.
Suspensão de rendas, empréstimos — para inquilinos e senhorios —, e até suspensão de indemnizações e dos prazos de caducidades dos contratos de arrendamento. São várias as medidas que o Governo lançou para ajudar a suportar os custo associados à habitação. O diploma, que prevê estas medidas, vai ser discutido na quinta-feira no Parlamento e terá ainda de ser promulgado pelo Presidente da República. Mas, apesar de ainda não haver data para entrar em vigor, aplica-se a todas as rendas a partir de 1 de Abril.
Todas estas situações se aplicam aos meses em que durar o estado de emergência, até um mês depois. Ainda durante este período, em que as rendas estiverem suspensas, os senhorios não podem rescindir os contratos nem exigir indemnizações aos inquilinos. Além disso, fica congelada a suspensão dos contratos de arrendamento cujo prazo termine nos próximos meses.
  • Rendas suspensas para famílias com perda de 20% dos rendimentos
A pensar nas famílias que estão em casa a receber apenas uma parte do salário, ou até mesmo sem receber, o Executivo criou um regime excepcional de protecção aos inquilinos, que prevê a suspensão das rendas até ao mês subsequente em que durar o estado de emergência. Mas nem todas as famílias têm direito a este apoio… há condições específicas de acesso.
Esta suspensão está prevista apenas quando há uma perda superior a 20% dos rendimentos do agregado face aos rendimentos do mês anterior ou do período homólogo do ano anterior, ou se a taxa de esforço ultrapassar os 35% (valor recomendado). Os inquilinos que queiram aderir a este apoio têm de informar o senhorio, por escrito, até cinco dias antes do vencimento da primeira renda em que pretendem beneficiar da suspensão do pagamento.
Feito isto, o inquilino tem 12 meses para pagar as rendas que ficaram para trás, e esse pagamento deve ser feito “em prestações mensais não inferiores a um duodécimo do montante total” e pagas juntamente com a renda de cada mês. Durante o período em que as rendas estão suspensas, ou seja, enquanto vigorar o estado de emergência, o senhorio não pode rescindir o contrato de arrendamento. Contudo, ganha esse direito se os pagamentos não forem feitos nos 12 meses seguintes estipulados.
  • IHRU concede empréstimos para suportar custos com rendas
Mas os apoios aos inquilinos não ficam por aqui. O Governo prevê também a possibilidade de as famílias pedirem um empréstimo, sem juros, ao Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) para ajudar a suportar os custos da renda. Esta possibilidade está disponível para “arrendatários habitacionais e os fiadores de estudantes arrendatários sem rendimentos do trabalho” que tenham visto uma quebra nos rendimentos.
Contudo, o valor do empréstimo não corresponderá ao valor total das rendas. Para calcular o montante a emprestar, o IHRU vai aplicar uma taxa de esforço máxima de 35% do agregado familiar e ao valor da renda vai subtrair esse valor. O resultado será o valor a ser emprestado. Para calcular o valor da taxa de esforço, pode utilizar este simulador disponível no blog Compara Já. Importa sublinhar que o rendimento restante do agregado não pode ser inferior ao indexante de apoios sociais (438,81 euros).
Excluídos desta possibilidade estão os inquilinos que morem em casas cujas rendas já tenham sido reduzidas devido à quebra de rendimentos, como no caso das habitações sociais. Isto porque está previsto que entidades públicas com imóveis arrendados possam reduzir as rendas aos inquilinos.
  • IHRU também concede empréstimos aos senhorios
As ajudas do Governo vão também para os senhorios, que podem ver os seus rendimentos reduzidos devido a quebras no salário ou até mesmo a falta de pagamento das rendas. Isto é, assim como os inquilinos, também os senhorios podem pedir um empréstimo, sem juros, ao IHRU para compensar a falta dos valores das rendas. Contudo, para serem elegíveis para empresa financiamento, os senhorios têm de ter uma perda de 20% nos rendimentos e os respectivos inquilinos não podem ter pedido um empréstimo ao IHRU.
  • Rendas suspensas no comércio
A suspensão das rendas também está prevista nos estabelecimentos comerciais. Aqui, nas rendas não habitacionais, o Governo prevê igualmente a suspensão das rendas até ao mês subsequente em que o estado de emergência estiver em vigor. Abrangidos por esta suspensão estão os estabelecimentos comerciais e serviços que que foram forçados a encerrar e ainda os restaurantes que mantenham parcialmente as suas actividades, como a venda de comida para fora.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Recomendamos o Livro "Educando os Meninos"

A lei está do lado dos pais: não é preciso continuar a pagar as creches

Dois juristas ouvidos pela NiT afirmam que exigir o pagamento de mensalidades de creches encerradas “não faz sentido” legalmente
A questão tem surgido em todos os grupos de pais e os relatos diferentes só tornam a situação mais confusa. Há creches a reclamar mensalidades, escolas que só descontam os valores das refeições e actualmente, cada estabelecimento parece estar a agir por conta própria.
A verdade é que desde o encerramento das escolas decretado pelo governo, muitos pais continuam sem saber o que fazer. Devem ou não continuar a pagar a creche ou a escola, mesmo com os miúdos em casa? O que diz a lei?
Os responsáveis também não têm contribuído para esclarecer a questão. Em declarações ao “Público”, o presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), deixa o conselho às creches IPSS no sentido de uma “diminuição da comparticipação mensal”, embora refira que é necessário saber se, mediante o encerramento decretado pelo estado e consequente “suspensão da prestação de serviços”, existe “dever de pagamento das comparticipações”, embora conclua que não há, de momento, “uma solução uniforme”.
Precisamente no dia seguinte, o vice-presidente da mesma instituição, Eleutério Alves, caminhou no sentido contrário do presidente do CNIS. “O vínculo contratual entre utentes e as IPSS não caducou nem está suspenso”, explicou à revista “Sábado”. E adiantou que o conselho que está a dar às instituições é o de que devem tentar obter consenso com os pais para acordar o pagamento de uma percentagem da mensalidade.
Perante toda esta confusão, a NiT pediu a opinião especializada de dois juristas para responder à questão que todos os pais estão a fazer: têm mesmo que pagar a mensalidade se a escola ou creche assim o exigir?
“Os contratos com estes estabelecimentos são contratos bilateral e tem obrigações e direitos para as duas partes, têm natureza recíproca. Se uma das partes — é certo que por razões objectivas que não lhe podem ser imputadas, neste caso uma situação excepcional de emergência — deixou de prestar o serviço, a contra-parte que beneficia desse serviço não pode continuar a assumir a sua obrigação principal, que neste caso é o pagamento do preço ou da mensalidade”, diz à NiT o jurista Marcelo Delgado.
Contrariamente ao que o vice-presidente do CNIS declarou, ao sustentar que não havia qualquer suspensão do contrato, a opinião do jurista é a de que existe, efectivamente uma suspensão. O que acontece nestes casos é precisamente uma “suspensão do contrato”, provocada pelo facto de a escola ou creche deixar, ainda que temporariamente, de prestar o serviço que lhe cumpria no acordo.
“Essa causa de suspensão não é culpa de nenhuma das partes, mas se há que suspender o contrato, essa suspensão não pode acontecer só para uma das partes — o contrato é recíproco e portanto a suspensão tem que ter efeitos para os dois. Se uma parte deixa de cumprir, é legítimo que a outra parte também deixe de cumprir a sua, que neste caso é o pagamento do preço, até porque deixa de obter o benefício que estava previsto”, nota.
No mesmo sentido vai a opinião de Sónia Covita, jurista da DECO Proteste, que frisa que “se não há um serviço prestado, não há lugar a pagamento”. Ainda assim, a coordenadora do departamento jurídico Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor explica que há situações distintas que pedem uma análise diferente.

“As crianças estão em casa e não há quaisquer actividades ou serviços a serem prestados. Não faz sentido que venham exigir qualquer pagamento”, diz Sónia Covita da DECO Proteste

É preciso, primeiro, distinguir as creches das escolas que adoptaram o ensino à distância. No caso das primeiras, “as crianças estão em casa e não há quaisquer actividades ou serviços a serem prestados” e, nesse caso, não faz sentido “que venham exigir qualquer pagamento”.
No contexto das segundas, quando as aulas continuam a ser dadas de forma remota, há efectivamente um serviço a ser prestado, ainda que não seja equiparável às aulas presenciais e, por isso, a DECO Proteste aconselha outra abordagem.
“Nesses casos, achamos demais que os pais digam taxativamente que não pagam, sendo que poderão negociar com a escola uma redução. Tem que haver um ajuste do valor, haver uma aproximação a um preço que seja razoável”, explica, sublinhando que deverão sempre ser descontados valores de refeições, transporte ou actividades extra-curriculares que não estão a ser prestadas.
Ambos os juristas compreendem a posição de algumas creches que, com despesas de manutenção e de salários de trabalhadores, poderão ter que lutar para se manterem em funcionamento depois do encerramento forçado que ainda não tem uma data limite. Ainda assim, qualquer acordo de redução da mensalidade dependerá “da boa vontade dos pais tentarem negociar para ajudar as escolas neste momento difícil”, diz Sónia. E sublinha que “qualquer exigência de pagamento não é obrigatória”.
“No caso das creches e dos mais pequeninos, por mais boa vontade que se tenha, não se consegue justificar [a exigência do pagamento da totalidade da mensalidade]”. Mesmo que a esse valor seja retirado o preço das refeições e das actividades, “o pagamento integral não faz sentido”.

E se não pagar, o que é que acontece?

A opinião legal dos dois especialistas vai no sentido de que não deverão ser pagas as mensalidades às creches, embora muitos pais temam algum tipo de repercussões negativas. Poderá isso acontecer? “Não é possível perderem direitos de ligação ao estabelecimento de ensino porque não se entra em situação de incumprimento do contrato”, aponta Marcelo Delgado.
É, portanto, da opinião que neste caso concreto, os pais têm “justa causa para suspender as suas prestações”, pelo menos no que concerne a legislação actual.

“Se não pagarmos as mensalidades, talvez [algumas escolas] não tenham como sobreviver”, nota Marcelo Delgado

Fica, contudo, aberta a porta para uma eventual intervenção do governo, que poderá decidir legislar para acautelar a sobrevivência dessas escolas, que continuam a ter que fazer face a várias despesas. “Se não pagarmos as mensalidades, talvez não tenham forma de sobreviver. Nesse sentido, acredito que possa haver um equilíbrio legislativo para forçar os pais a assumir essas despesas, mas sempre com uma redução do valor”, acrescenta.
No sentido de acautelar as dificuldades reais que creches e escolas irão enfrentar, sem prejudicar os pais, Sónia Covito explica que percebem “o lado das escolas”, e que será “difícil manter alguns funcionários” sem os valores das mensalidades, mas que “caberá ao governo tomar decisões que ajudem as escolas, não passando essa responsabilidade aos pais”.
“Dizer agora aos pais, sendo que muitos deles estão em casa com cortes nos salários, que vão ter que pagar uma mensalidade, não faz sentido nenhum”, diz.
A conclusão de ambos os juristas vai no sentido de que a lei está do lado dos pais no caso das creches, onde nenhum serviço é prestado por parte dos estabelecimentos e, por isso, não deve ser feito qualquer pagamento por algo que não é prestado. Mesmo que a creche o exija, o não pagamento não fará os pais entrarem em incumprimento e, portanto, não prejudicará a continuidade no estabelecimento.
Situação diferente é a das escolas com ensino à distância, onde embora o serviço prestado não seja exactamente o que ficou acordado no contrato, há de facto um apoio ao aluno que deve ser recompensado. E à falta de legislação específica do governo, poderá chegar-se a um acordo de uma percentagem do valor acordado.
Este é o ponto da situação, pelo menos até intervenção do governo, algo que ainda não se sabe se irá acontecer.

Crianças: as novas cobaias da indústria transgénero

  Numa revelação exclusiva do jornal The Telegraph , intitulada " Crianças pagas em ensaio do NHS sobre bloqueadores da puberdade, com ...