quinta-feira, 23 de abril de 2020

Filhos destes dias…

Lembra-se do filme “Olha quem fala”?
Inglês S/A: Olha quem está falando

E se os bebés, as crianças, adolescentes e jovens, exprimissem verbalmente o que lhes vai na alma?

O bebé contaria:
Não entendo… Ainda ontem estava com os meus papás em casa, eles davam-me miminhos, a mamã dava-me leitinho, ria-se para mim com aquele sorriso maravilhoso, adormecia-me nos seus braços… O papá chegava a casa e vinha logo ter comigo, pegava-me ao colo, brincava comigo… Hoje, cedinho, a mamã  pegou em mim, vestiu-me, colocou-me na cadeirinha, levou-me para o carro e deixou-me ficar aqui, na creche, com pessoas estranhas. Esperei por ela todo o dia, chorei de saudades, não gostei do biberão… Passaram 8 ou 9 horas até ela me vir buscar. Quando a vi fiquei tão feliz! Ups… Acho que adormeci na viagem. Os meus papás parecem muito cansados, mas brincam comigo, dão-me banhinho, papinha e… Esperem, esperem… Podemos brincar mais um bocadinho? Não… Estamos muito cansados e precisamos descansar… Vivi assim 6 anos.
A criança era capaz de dizer:
Acabou o infantário. Entrei para a Escola e para o ATL. Entro de manhãzinha, às vezes ainda é de noite, e saio ao anoitecer… Faça chuva ou faça sol, fico 8 horas por dia na Escola e no ATL, até a mamã ou o papá me virem buscar. Em casa, depois de um dia inteiro a fazer coisas e a ouvir coisas, ainda tenho que fazer os trabalhos de casa. Os meus pais reclamam por não terem tempo para me ajudar. Quando termino os TPC’s mandam-me tomar banho (sim, já sei tomar banho sozinho e os meus pais só me secam) e ver televisão, pois trabalharam todo o dia, estão muito cansados e ainda têm muito que fazer. Confesso que não consigo entender… Trabalham todo o dia, todos os dias, e estão sempre a reclamar da falta de dinheiro para comprar mais coisas, para ir de férias para não-sei-onde, para o modelo novo do carro da mãe… Enquanto jantamos (a mamã e o papá cozinham muito bem) olham para mim, fazem-me algumas perguntas sobre o meu dia, brincam um pouquinho comigo e… são horas de lavar os dentes, fazer xixi e ir prá cama… Quase não os vejo… Só mesmo aos fins-de-semana e um de cada vez, pois ambos trabalham e tentam conciliar os horários para estar sempre um em casa ao sábado e ao domingo.
E o adolescente e o jovem gritariam:
Passaram-se mais 4 anos. Ganhei um telemóvel topo de gama. No caminho do ensino secundário tenho cada vez mais professores e muitas, muitas disciplinas… Acho que não vou dar conta do recado. Nos primeiros meses os meus pais vêm trazer-me e buscar-me (eles revezam-se de acordo com o horário de trabalho de cada um). Mas isso é só até eu saber bem o caminho e não ter medo de ir e vir sozinho. Medo? Eu não tenho medo. Já sou um homem e sei andar na rua e até nos transportes públicos. Mas, como moro perto da escola, não preciso. Só ainda não sei como lidar com aqueles parvalhões que me perseguem, insultam, batem e roubam o lanche… Não vou dizer nada aos meus pais para não os preocupar… Ultimamente, discutem por tudo e por nada… Passam o tempo a receber chamadas e a conversar ao telemóvel. A mesa da sala de jantar virou uma espécie de escritório (dizem que é para estarem ao pé de mim) e têm sempre trabalho de casa.
Chego a casa muito cansado, dou um beijinho a cada um – parecem-me exaustos – e tento fazer os TPC’s. Às vezes adormeço e acordo com os gritos da minha mãe «vai tomar banho para depois jantarmos!». Acabo por não conseguir fazer os trabalhos de casa e lá vem um recado na caderneta para o meu pai… Fico de castigo (tiram-me o telemóvel, mas só em casa). Ninguém quer saber se estou cansado, ou não. Os professores gritam comigo e perguntam-me se os meus pais não têm tempo para me ajudar a fazer os trabalhos de casa… Quando respondo, perguntam-me se os meus pais também não me dão educação… Anda tudo cansado e eu é que levo com eles todos… 
Os meus pais dizem que são os professores que têm que ensinar a matéria bem ensinada; os professores dizem que não são educadores, que esse é o papel dos pais, mas também insistem em ensinar coisas contrárias ao que os meus pais me ensinam (no pouco tempo que têm para estarmos juntos) e ainda dizem que o que os meus pais me ensinam é retrógrada. Começo a ficar confuso… Já não sei quem fala verdade… Talvez sejam mesmo os professores… Afinal, são eles que dão aulas e que passam a maior parte do tempo comigo… Acho que os meus pais não têm tempo para se informarem e evoluírem… Trabalham tanto… 
QUEM É QUE ME EDUCA?
Em casa, cada vez passamos menos tempo juntos. Venho carregado de TPC’s pra fazer e eles cada vez parecem mais irritados, com menos paciência, discutem e acusam-se um ao outro por as minhas notas terem baixado… Passamos 2 ou 3 horas juntos… quase sempre a discutir ou cada um no seu iPad. Eles não me entendem, não percebem que o mundo mudou e que ainda vivem no século passado… Os meus colegas têm razão. Os meus pais são antiquados. A maior parte dos meus amigos já tem namorada ou namorado (os profs dizem que não há diferença em namorar com rapazes ou com raparigas), duas casas (os pais separaram-se e ficaram mais fixes, levam-nos para jantar fora, não os controlam tanto e concordam com eles em quase tudo) e toda a liberdade que eles querem. Alguns já saem à noite, bebem até cair… E os meus velhotes dizem que eu só saio depois dos 18 e com horas para entrar? 
CHEGA! Vou fazer como os meus colegas, vou ser livre e quero ver quem me vai impedir. Comecei a fumar às escondidas (os meus pais não notaram nada) e tenho passado algum tempo com aqueles tipos bué de fixes que têm tempo para conversar comigo. Conversamos sobre tudo, sem stresses, e já me convidaram para fumar um “charro” e ir a umas festas. Eles dizem que os pais não podem dar palmadas nos filhos e que não mandam neles. Devem ter razão… Ai dos cotas que voltem a tocar-me… Ligo prá bófia e faço queixa deles. Afinal, os meus pais não têm tempo e os profs dizem que podemos fazer o que quisermos desde que sejamos responsáveis (e eu sou responsável).
Para reflectirmos:
Infelizmente, salvo raras excepções, este costuma ser o resultado da demissão de muitos pais da criação dos filhos… É hora de respondermos honestamente a algumas questões:
Afinal, para que é que quisemos ter filhos?
Quão importantes são eles para nós?
Abriríamos mão de uma suposta “realização profissional” e de algum conforto por eles? Para os amar, criar, educar e ESTAR PRESENTES?
Quem está a criar, educar e formar os homens e as mulheres de amanhã? O que é que lhes estão a ensinar?
O que é ser mãe? Pai?

Pais expropriados da formação dos seus filhos

A perda de autoridade paternal é apenas o resultado da erosão da família, legal e socialmente falando, que tem vindo, paulatinamente, a destituir os pais da sua função básica: formar os seus filhos.
Plataforma Renovar
O primeiro baluarte a abater foi a família numerosa, e isso foi quase que plenamente conseguido, depois veio a banalização do divórcio (em nome da libertação da mulher) e a erosão chegou ao conceito de família – pai + mãe = filhos.
O ritmo alucinado em que vivemos deixa-nos sem tempo para o que é mais importante: Deus e a família. Infelizmente, e de acordo com uma amiga que dirige um Colégio, os pais deixariam os seus filhos lá das 8:00 às 20:00 e alguns até pagariam para os ir buscar ainda mais tarde. Depois, claro, quando envelhecerem, e antes de serem mandados para um lar, procuram eles mesmos um para não darem trabalho àqueles para os quais não tiveram tempo. É a lei da vida.
Sem nos apercebermos, como indivíduos e como família, em nome de uma suposta realização pessoal e profissional, transferimos para o Governo as nossas responsabilidades e tornámos realidade o sonho de todos os Estados laicistas e totalitários: expropriar a família da moral e da fé que deveriam manter-se cuidadosamente preservadas de quaisquer ingerências políticas.
Por meio do Ministério da Educação, o governo, arrogando-se senhor absoluto sobre os nossos filhos e da sua formação, além de desconstruir o conceito de paternidade/maternidade, foi aumentado o seu poder e assumindo para si o espaço que antes era ocupado pela família.
mantra constante, que repete sem cessar que a família está em crise – porque algumas famílias são de facto problemáticas – é propaganda dos que querem acabar com a família, pois ainda que haja famílias disfuncionais e problemáticas, a família continua a ser o pilar de qualquer sociedade e o garante da continuidade da espécie.
O inegável declínio da família, o seu reflexo na sociedade e a tentativa, por parte do Governo, de desconstruir o ADN sócio-cultural transmitido pela família aos seus descendentes vai ter custos económicos e sociais incalculáveis.
O governo tem vindo a provocar o encerramento de escolas público/privadas por motivos puramente ideológicos – não estarem sob o seu domínio absoluto – e prepara-se para fechar mais umas quantas com a desculpa da crise provocada pela pandemia. Assim, a mensagem que quem nos governa pretende passar é: ensino público idóneo, só o do Estado.
Há alguns dias, o ministro da Educação falou em ter os alunos na Escola das 9:00 às 17:00h. Ou seja: de segunda a sexta, durante a maior parte do dia e a maior parte do ano, os seus filhos são da Escola, e ai do pai/mãe que os tente tirar de lá. Em alguns países já é crime levar o filho de férias durante o período escolar, sem autorização da Escola, e fazê-lo pode dar multas pesadas ou cadeia.
Os pais, que deveriam ser os árbitros do superior interesse dos seus filhos, entregaram essa função à Escola de mão-beijada. Governo, Ministério da Educação, CPCJ, tribunais e opinião pública – formatada pelos opinion makers de serviço – parecem concordar em retirar aos pais toda e qualquer autoridade sobre os seus filhos.
Sem que nos déssemos conta, parece que a ideia de que os pais são os principais educadores dos seus filhos, aqueles que lhes transmitem a fé, os valores, os conhecimentos e a cultura é abominável…
A Escola, garantem eles, é que tem que MOLDAR as crianças, inclusive no que toca à sua própria identidade, sexualidade, valores, religião e ideologia política. Ideal, ideal – digo eu – seria os pais colocarem os filhos nos braços do Ministério da Educação a partir dos 4 meses e só os alimentarem e cuidarem no que à manutenção do corpo diz respeito. O governo trata do resto e, se a doutrinação ideológica funcionar, também paga as cirurgias de “mudança de sexo”, porque o cérebro já eles operaram há muito tempo.  
Escandalizado?
– Não esteja.
Há algum tempo que a Estratégia Nacional de Educação para a cidadania, em Portugal, colocou em marcha um projecto educativo – a ideologia de género – que determina que a identidade e a igualdade de género sejam tema obrigatório em todos os ciclos de estudo – da pré-primária ao 12º ano. Acrescem a este projecto temas como: direitos reprodutivos (aborto), eutanásia, inter-culturalidade e um tipo de racismo que só considera racista o homem branco heterossexual.
Os ideólogos dessa engenharia social não admitem que haja pais que não abdiquem alegremente da responsabilidade de educar os filhos segundo as solidas convicções que herdaram dos seus antepassados, e não os entreguem às verdades absolutas das muitas Associações LGBTQIA+ a quem o Governo deu carta-branca para entrar na Escola e doutrinar crianças de tenra idade que não têm como se defender de tal ataque.
Não se deixe enganar. A agenda global escolar propõe-se FORMATAR a mente dos seus filhos (e se possível a sua) para a ideia incontestável que que aqueles que se opõem à ideologia de género são perigosos e limitam a liberdade dos demais.
Se considerarmos a facilidade com que qualquer crítica aos programas ideológicos de género é considerada “discurso de ódio”, não se admire se, eu, que agora lhe escrevo, vier a ser interrogada, acusada e presa.

Mas pode um pai recusar que os menores sejam ensinados à distância?

O título desta nota e as palavras que seguem fazem parte do artigo que saiu ontem no Observador:
«Ninguém, nem nas associações de pais, nem nos sindicatos de professores, encontra motivos válidos para que um encarregado de educação possa alegar que não quer que o filho siga as indicações dos professores. O único argumento será a falta de equipamento informático. Os pais até podem dizer que o seu filho não faz determinada tarefa, mas o professor assinalará isso na avaliação do aluno. Se eu, pai, digo para ele não participar, é o mesmo que estar a recusar-me a levá-lo à escola. Não me parece justificado. E o decreto lei do Governo só diz que terminou o ensino presencial”, defende Jorge Ascensão, da Confap, confederação de associações de pais.»
Só que NÃO.
Li todo o artigo, concordo que os alunos devem “ir à escola” e não aprovo que alunos – que têm meios para assistir às aulas em casa – se baldem e que os pais façam o mesmo. Posto isto, e para que não haja dúvidas, mais uma vez percebo no que li uma total expropriação dos pais da educação dos seus filhos por parte do Ministério da Educação.
  • Quando é que a Escola deixou de ser pública para ser ESTATAL?
  • Quem é que a mandatou para denunciar os pais que queiram continuar a ser EDUCADORES e ENCARREGADOS de EDUCAÇÃO dos seus filhos à CPCJ?
  • Quem é que deu à Escola poderes para retirar aos pais qualquer autoridade no que à educação dos seus filhos diz respeito?
Não, Sr. Jorge Ascensão, não querer que o meu filho siga algumas indicações dos professores e recusar que ele faça uma determinada tarefa não é recusar-me a levá-lo à escola. Se o Sr. é pai, fale por si e pelos pais que o mandataram.
Há pais que fazem questão de educar os seus filhos e que não admitem que esse direito lhes seja retirado, que não aceitam que os professores desconstruam a educação que dão aos seus filhos em áreas como: fé, valores e sexualidade.
Exemplos:
Se o Professor, funcionário do Estado laico, é ateu, os pais – cristãos ou de outra qualquer religião – não querem que incutam o ateísmo nos seus filhos, desconstruam e ofendam a sua fé.
Se os pais educam os seus filhos na área sexual ao ritmo de cada filho – à medida que vão crescendo e fazendo perguntas – aconselhando-os a guardar-se e a preservar a sua intimidade, não são obrigados a ver essa educação destruída por quem os quer formatar na linha de montagem da cultura LGBTQIA+ e lhes mostra filmes ideológicos e pornográficos em plena sala de aula.
Se os pais ensinam às suas filhas que nasceram meninas e aos seus filhos que nasceram meninos, e os criam para serem mulheres e homens saudáveis e responsáveis, não têm que aceitar que o professor lhes ensine que “ainda que tenham nascido meninos, podem ser meninas quando quiserem e vice-versa” e ver essa realidade natural e biológica destruída por ideologias e ideólogos a serviço da agenda LGBTQIA+.
Se os pais ensinam aos seus filhos que os meninos têm pénis e as meninas têm vagina, não têm que aceitar que a Escola lhes ensine que isso é discurso de ódio, porque não é, e muito menos que tratem a amputação de membros saudáveis do corpo como mais uma orientação sexual, porque não o é.
Se os pais não querem que na Educação Pré-escolar os seus filhos tomem consciência da diversidade das expressões e identidades de género e que sejam “Desconstruídos os diferentes papéis sócio-culturais em função do sexo”, o Ministério da Educação não pode violar esse direito e obrigar os professores a falar de SEXO, em publico, com criancinhas tão pequenas.
Se os pais não querem que os seus filhos de 6/7 anos sejam instruídos sobre o que é um transsexual, um transgénero, um gay, uma lésbica, e não-sei-quantos outros géneros, e como são felizes por serem tão modernos e tão eles mesmos, a Escola não pode doutriná-los nessa ideologia. [1]


Se os pais ensinam aos seus filhos que a vida é o bem maior, que não pode ser violada seja por quem for, não têm que ver esse ensino destruído por professores que adoptam o aborto e a eutanásia como meios para se desfazerem de quem os atrapalha e que ensinam a crianças de tenra idade que matar um bebé no ventre é uma questão de saúde. Gravidez não é doença.
Se os pais educam e ensinam os seus filhos a respeitar e a amar todas as pessoas SÓ PORQUE SÃO PESSOAS, criadas à imagem e semelhança de Deus, não têm que ficar caladinhos quando os professores, a serviço de um ministério ideológico, lhes dizem que têm que respeitar alguém porque é gay, lésbica, bi, trans, etc. Não. São PESSOAS e é por isso que devemos respeitá-las.
Resumindo, se os pais educam os seus filhos de acordo com a sua fé, os seus valores e os seus princípios, não têm que abrir mão disso para um Ministério da Educação com tiques totalitários.
Não querer que o meu filho siga algumas indicações dos professores e recusar que ele faça uma determinada tarefa não é recusar-me a levá-lo à escola, mas sim defender o meu direito a educar os meus filhos e a não ver outros destruir a educação que lhes dou.
Os meus filhos não são peças na engrenagem de uma engenharia social totalitária. Os meus filhos não são filhos do Estado.
Portanto, e como AINDA não vivemos numa ditadura, segundo o art.º 36.º, n.º 5 CRP:
“Os pais têm o direito e o dever de educação e manutenção dos filhos”.
E exercem esse direito, e cumprem esse dever, pondo em prática os valores ditados pela sua consciência, bem como, no caso de serem crentes, pelas respectivas convicções morais e religiosas – estando uma e outras protegidas pelo art.º 41.º, n.º 1 CRP, nos termos do qual:
“A liberdade de consciência, de religião e de culto é inviolável”.
Acresce ainda o disposto no art.º 43.º, n.º 2 CRP:
“O Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas”.
Pois bem, a educação sexual e ideológica que pretendem ministrar aos filhos dos outros – à revelia desses outros – assenta em directrizes filosóficas e ideológicas contrárias aos valores e às convicções morais e religiosas que muitos pais perfilham, a partir dos quais pretendem exercer os direitos e o deveres que lhes assistem – direitos e deveres esses de educar os seus filhos aos quais não pretendem, em suma, renunciar.
Então, sim, os pais podem recusar que os menores sejam doutrinados pelo Governo e tenham certos ensinos à distância e presencialmente.
Maria Helena Costa
[1] 20-03-2019 – Na página da Associação Projeto Be Equal, mais uma Associação lgbtqia+, podia ler-se: “Olá pessoal. Hoje estivemos na Escola E. B. 1 de Gueifães com uma turma do 2º ano do 1º ciclo do ensino básico, turma de um professor maravilhoso com uma enorme sensibilidade, prof. Luís Coutinho. Falámos sobre aceitação/felicidade/transgenero e discriminação com uma leveza maravilhosa… Crianças com 7/8 anos que nos inspiram a ser mais e melhores. Obrigado por existirem e sejam diferentes, tratem-se como iguais!”

domingo, 19 de abril de 2020

Onde é que errámos?

Sou um pai desanimado. A minha mulher e eu esforçamo-nos ao máximo para ser bons pais, mas agora o nosso filho de 16 anos é teimoso, desrespeitador e desafiador. Ele está com problemas sérios com a lei e não fazemos ideia de onde foi que errámos.

Resposta:

Antes de se culpar por tudo o que aconteceu, insisto para que páre e pense no acontecido. Todos nós que trabalhamos com crianças temos observado que o comportamento rebelde de um adolescente; às vezes, não resulta dos erros ou das falhas dos pais, mas de más escolhas feitas por sua própria iniciativa. O seu filho pode ser um desses adolescentes.
Duas coisas ficam claras a esse respeito: Os pais aceitaram rapidamente que o crédito ou a culpa pela maneira como os filhos se comportam. As mães e os pais que criam jovens brilhantes inclinam-se a encher o peito e a dizer: «Vejam o que conseguimos!». Os que têm filhos problemáticos perguntam-se: «Onde foi que eu errei?». É bem provável que nenhuma dessas afirmações seja correcta. Embora os pais tenham uma grande influência na vida dos filhos, eles são apenas um componente na linha de montagem.
Os cientistas comportamentais têm sido demasiadamente simplistas nas suas explicações sobre o comportamento humano. Apesar das suas teorias em contrário, somos mais do que a qualidade da nossa alimentação e da herança genética e bioquímica. E, certamente, somos mais do que o agregado de influência dos pais.
Somos indivíduos únicos, capazes de pensamentos independentes, racionais e atribuídos a qualquer fonte. É isso que torna a educação de filhos tão desafiadora e gratificante. No momento em que pensamos conhecer completamente os nossos filhos, é melhor estarmos preparados… Algo novo vai aparecer no nosso caminho.
Qual é o papel que a hereditariedade desempenha no comportamento de um filho como o meu?
Há mais de um século que os especialistas em desenvolvimento infantil argumentam quanto à influência relativa da hereditariedade e do ambiente, ou o que tem sido chamado de controvérsia da “natureza-nutrição”. Agora, finalmente, essa questão pode ter sido estabelecida. Os pesquisadores na Universidade de Minnesota passaram muitos anos a identificar e a estudar 100 conjuntos de gémeos idênticos que foram separados logo depois de nascidos e que foram criados em culturas, religiões e locais diferentes por uma variedade de razões.
Em vista de cada conjunto de gémeos compartilhar a mesma estrutura genética, foi possível aos pesquisadores examinarem o impacto da herança comparando as suas semelhanças e diferenças em muitas variáveis.
A partir desses e outros estudos tornou-se claro que grande parte da personalidade, talvez 70% ou mais, é herdada. Os nossos genes influenciam qualidades como criatividade, sabedoria, bondade, vigor, longevidade, inteligência e até a alegria de viver 1.
Vamos considerar os irmãos conhecidos como “gémeos Gem”, que ficaram separados até aos 39 anos de idade. As suas semelhanças eram surpreendentes:
  • Casaram com mulheres chamadas Linda;
  • tinham cães chamados Toy;
  • sofriam de enxaqueca;
  • fumavam compulsivamente;
  • gostavam de cerveja;
  • conduziam Chevrolets
  • eram sub-delegados
  • tinham um estranho sentido de humor
Por exemplo: ambos gostavam de fingir espirrar no elevador para ver como as pessoas reagiam 2.
Este grau de semelhança na personalidade de gémeos idênticos, criados separadamente, mostra a notável influências das características herdadas.
A estrutura genética da pessoa é tida como influenciando até a estabilidade do seu casamento. Se um gémeo idêntico se divorcia, o risco do outro se divorciar também é de 45%. Todavia, se um gémeo fraterno se divorcia, por compartilhar menos da metade dos genes, o risco para o outro é somente 30% 3.
O que é que essas descobertas significam?
Somos simples fantoches numa corda, desempenhando um curso pré-determinado sem vontade própria ou escolhas pessoais?
— Não. De modo diferente das aves e dos mamíferos, que agem segundo o instinto, os humanos são capazes de pensamento racional e acção independente. Não agimos de acordo com todos os impulsos sexuais, ou outros. O que fica claro é que a hereditariedade providencia um empurrão numa determinada direcção, impulso ou inclinação definidos — mas que pode ser controlado pelos nossos processos racionais.
Essas descobertas são evidentemente de enorme significado para a nossa compreensão das crianças. Antes de aceitar todo o crédito ou culpa pelo comportamento dos seus filhos, lembre-se de que desempenhou uma parte importante nos anos formativos — mas de modo algum a única parte.
Quanto ao seu filho rebelde de 16 anos, sugiro que lhe dê algum tempo. Ele vai, provavelmente, acalmar-se ao entrar na casa dos 20. O desejo é que ele não faça nada com implicações a longo prazo antes de terminar a adolescência.

Fonte:  Livro “Criando Meninos”, págs. 236-238
Autor: Dr. James Dobson, fundador da organização Foco na Família, psicólogo e autor de diversos livros, possui doutoramento em Desenvolvimento Infantil pela Universidade de Southern Califórnia.

  1. BOUCHARD, Thomas J. eta I., “Sources of Human Psychological Differences: The Minnesota Study of Twins Reared Apart”, Science, 12 de Out. de 1990, p. 223.
  2. “Twins Separated at Birth: The Story of Jim Lewis e Jim Springer”, Smithsonian Magazine, Out. de 1980.
  3. RITTER, Malcolm, “Study Suggests Genes Influence Risk of Divorce”, Associated Press, 27 de Nov. de 1992.

Se desejar colocar alguma questão adicional, contacte-nos por favor pelo email questoes@familiaconservadora.pt.


Aulas em casa. Os conselhos de uma “profissional” em homeschooling

Ana Rute Cavaco tem quatro filhos em “homeschooling”. Não tem nada a ver com o coronavírus, é mesmo uma escolha. Não é o mesmo que ensino à distância, mas há lições importantes a partilhar.


Já está com os cabelos em pé a tentar trabalhar, tratar de uma casa e ainda orientar os estudos dos seus filhos? A má notícia é que só passaram dois dias e ainda tem muitas semanas pela frente. A boa notícia é que não tem de ser tão desesperante.
Ana Rute Cavaco está numa situação parecida. Tem quatro filhos em idade escolar em casa, mas os pequenos Cavacos estão nessa situação o ano todo, em regime de “homeschooling”, por escolha de Rute e do seu marido Tiago, pastor baptista e músico.
Também por opção, Ana Rute não trabalha, embora colabore activamente com o ministério religioso do marido, e reconhece que isso constitui uma diferença importante para as famílias em que ambos os pais estão a tentar controlar os filhos e trabalhar ao mesmo tempo. Apesar disso, tem conselhos práticos a dar.
Os primeiros podem parecer evidentes: “é importante ter um rumo, disciplina, horário a seguir”, mas logo vem uma importante ressalva. “Mas ao mesmo tempo é preciso olhar para este tempo como um tempo de excepção, em que precisamos de ter uma maior compreensão uns com os outros e saber aceitar que provavelmente há partes do dia em que não vamos conseguir fazer aquilo a que nos propusemos, a bem da sanidade mental de todos – e creio que é mesmo uma questão de sanidade – em alguns casos em que as pessoas estão em pequenos apartamentos, com vários filhos, a ter de trabalhar, a ter de fazer escolhas e dizer que por hoje está terminado.”
A experiência desta mãe de quatro diz que uma das coisas mais importantes é criar o hábito de respeitar o silêncio, e sugere “negociar com os filhos pequenos períodos de silêncio, e de parar e saber estar. É importante ensiná-los neste desafio de estarem 24 horas uns com os outros a respeitarem também o espaço uns dos outros, a terem momentos em que podem brincar sem fazer barulho ou ler, mas haver no fundo um hábito de partilhar o mesmo espaço, dando espaço aos outros.”
Embora compreenda que para as famílias o período de confinamento está a ser um grande desafio, Ana Rute Cavaco acredita que bem gerido, a longo prazo as famílias podem sair fortalecidas.
“É uma altura em que as pessoas, pais, filhos e irmãos podem-se aproximar mais uns dos outros e uma das coisas que temos experimentado – e esta é a mais valia que temos encontrado em fazer ‘homeschooling’ – é aprendermos que na dificuldade de estarmos juntos há coisas boas e quanto mais tempo estamos juntos e somos testados, mais aprendemos a estar uns com os outros e a partilhar, a saber dar o tal espaço uns aos outros”.
Outra vantagem que destaca é a virtude da entreajuda. “Uma das coisas que vemos mais a acontecer connosco é que os irmãos, obviamente, estão mais tempo juntos e chateiam-se muito mais, mas ao mesmo tempo também se ajudam mais e aprendem a fazer mais coisas em conjunto. Se estivessem segmentados por faixas etárias seria mais difícil encontrar uma adolescente quase de 16 anos a ter algumas coisas em comum com o irmão que vai fazer 10”, diz, dando o exemplo da mais velha e do mais novo lá de casa.

Entreter os filhos, mas sem exageros

Muitos pais tremem só de pensar que vão ter de ajudar os filhos a resolver contas de matemática ou de ciências, ou revisitar as regras gramaticais. Ana Rute lembra que mesmo no “homeschooling” o pai nunca veste a pele de professor, mas está lá apenas para tentar ajudar o filho a ultrapassar obstáculos.
“Eu, enquanto mãe, com a matéria, vou verificar quando eles não estão a conseguir alguma coisa, não estão a entender e peço ajudas exteriores, e muitas das vezes acabo mesmo por dizer que vamos ter de saltar esta parte, vamos ter de ver mais tarde, ou às vezes não é fundamental para o resto do raciocínio e fazem-se as escolhas necessárias para atingir aquele objectivo.”
No caso da maioria dos pais em confinamento, ainda por cima, há a ajuda constante dos professores, que deve ser aproveitada.
Mas outra das preocupações de muitas famílias é encontrar formas de entreter a criançada. Esta, contudo, é uma preocupação exagerada, acredita Ana Rute.
“A coisa que mais se descobre quando as famílias passam muito tempo juntas é que o entretenimento deixa de ser um objectivo, porque quanto mais tempo aprendemos a estar juntos, menos os pais têm a preocupação do entreter e do arranjar actividades”, diz.
“Nessa ausência de entretenimento surge alguma criatividade, surgem áreas de interesse. No nosso caso eles gostam muito de desenhar e têm surgido imensas coisas gratuitas na internet durante este tempo, têm descoberto alguns sites com cursos de desenho e têm desenvolvido muito isso. Há quem goste mais de música, há quem goste mais de experimentar outro tipo de pinturas e eles próprios sugerem que gostavam de experimentar alguma coisa e vão à procura disso e o que acaba por acontecer é que um tem essa ideia e os outros querem experimentar também.”
“Portanto se calhar devemos libertar um pouco os pais do entretenimento e habituarem-se mais a estarem juntos”, conclui.

9 Mitos Sobre o Direito ao Aborto

  "O nascituro não pede autorização para existir. À sociedade cabe o dever de o proteger, não o arbítrio de decidir se ele deve, ou não...